Crítica: A Bela e a Fera (2017)

Confesso que eu não estava tão empolgada assim para ver A Bela e a Fera nos cinemas. Mas após assistir a alguns trailers e descobrir que teríamos Ian McKellen, Ewan McGregor e Emma Thompson no elenco, ficou difícil resistir!

 

ATENÇÃO: CONTÉM SPOILERS

 

A Bela e a Fera de 2017 é a versão com atores do clássico de 1991, que eu aproveitei para reassistir para poder comparar melhor. Acho importante ressaltar os aspectos técnicos do filme, que foram fundamentais para que essa versão ficasse perfeita – além de adicionar elementos incríveis. Em termos de cenário e figurino, tudo estava fidelíssimo ao original, o que deveria render ao menos alguma indicação ao Oscar. A equipe foi muito bem-sucedida nesse sentido. A vila de Villeneuve, o castelo de Fera, as roupas, os números musicais, tudo está no lugar.

Além disso, o filme preencheu alguns gaps interessantes, tornando a história mais rica. Por exemplo: aqui, o pai da Bela, interpretado por Kevin Kline, ganha mais profundidade, e se torna o motivo pelo qual Bela é “estranha”. Ela também ganha uma mãe e mostra o quanto sente falta dela, o que é explorado também mais para o meio do filme. Assim, a personagem se torna mais tridimensional, e sua personalidade é justificada.

Emma Watson está divina neste filme. A pedância de Hermione é substituída pela simplicidade de Bela, que também é bondosa sem ser ingênua, e acima de tudo, corajosa. A atriz conseguiu equilibrar os traços da personagem para que ela se tornasse querida pela público. A escolha não poderia ter sido mais acertada.

As outras atuações estão magnânimas, com destaque para Ewan McGregor, o Lumiere. Só ouvimos a voz do ator na maior parte do filme – que puxa o “r” do francês de forma charmosa – e é quem conduz a película a maior parte do tempo. Ele e seu fiel escudeiro, Horloge – dublado por ninguém menos que Ian McKellen – são uma dupla carismática, fundamental para equilibrar o tom sombrio do castelo de Fera.

E falando em Fera, aqui o personagem ganha contornos emocionais que não tinha no desenho. A cena de abertura, que na animação era mostrada em forma de vitrais, ganhou uma versão mais expandida com atores reais, e conseguimos ter uma ideia da arrogância do príncipe, vivido por Dan Stevens. Depois, já como Fera, ele ganha uma música só para ele assim que ele liberta Bela do castelo, Evermore, que é lindíssima.

Ouça a trilha sonora de A Bela e a Fera no Spotify!

Ainda no castelo, ganhamos um personagem novo: Cadenza, vivido por Stanley Tucci. Ele é o marido da Madame de Garderobe, que ganhou um nome mais legal – na animação, ela era apenas o “Armário”. Quem dubla a personagem é Audra McDonald, dona de um vozerão incrível.

Além disso, Plumette – o espanador – também mantém o nome original e ganha ainda mais destaque com a dublagem de Gugu Mbatha-Raw. Na animação, ela era chamada de Fifi.

O time fica completa com a Madame de Samovar, com a voz de Emma Thompson, ao lado de Zip, vivido pelo estreante Nathan Mack. Os empregados do castelo se tornam os melhores amigos de Bela, e o número de Be Our Guest é um dos mais incríveis de todo o filme – dá vontade de levantar da cadeira e bater palmas no meio da sala do cinema.

E é claro que toda essa comitiva demanda um vilão à altura. Entre em cena Gaston (Luke Evans), que é a própria arrogância em pessoa, e que tem apenas um objetivo: se casar com Bela. Seu fiel escudeiro LeFou é um caso à parte. Ele também ganha mais destaque, e o ator Josh Gad teve bastante liberdade para criar uma versão do personagem que faz piadinhas típicas de Saturday Night Live. Quanto à polêmica sobre o personagem ser gay, a menção é tão bobinha e divertida que não justifica o alarde. Menas. Bem menas.

O filme todo é um espetáculo visual, cheio de cor e música, com os elementos tão bem colocados que a gente mal vê o tempo passar. A cena em que a vila invade o castelo difere um pouco da animação, mas não fica devendo em nada: todos os empregados fazem sua parte, e é claro que os aldeões acabam fugindo. O confronto final entre Fera e Gaston também não deixa a desejar.

A única coisa que me incomodou foi quando Fera volta a se tornar humano – uma das cenas mais bonitas da história da Disney – e que a versão live-action optou por colocar a feiticeira Agatha na cena. Não precisava. Na animação, Bela se apaixona por ele antes da última pétala cair. Aqui, parece que ela demora um segundo a mais e a bruxa é “obrigada” a intervir só para salvar o último segundinho, vendo que ele se redimiu. Isso tirou um pouco da magia do casal principal, que sempre se entendeu muito bem entre eles.

Fora isso, o filme é lindíssimo, incrível e vale MUITO a pena. Eu, que quase não fui ao cinema, teria me arrependido se fosse assistir direto em DVD. A versão em 3D torna tudo ainda mais especial. Mais uma vez, a Disney prova que a magia continua viva e que as fábulas de grandes princesas e heróis ainda levam muita gente para o cinema.

 

Nota: ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️

 

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2 comentários sobre “Crítica: A Bela e a Fera (2017)

  1. segundos antes de entrar no seu blog, estava aqui pensando como ainda não assisti esse filme… Ok que a Bela nunca foi minha princesa preferida, mas realmente, é tanta expectativa sobre o filme que a curiosidade e a vontade de ver só aumentam! Vou ver se consigo ir nesse fim de semana, sem falta!

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  2. Eu li até a metade porque não tenho certeza ainda se to preparada pros spoilers! Tô aqui só esperando algum ser iluminado vir nos visitar pra cuidar das minhas filhas e eu poder correr pra ver esse filme!!! Lindo, lindo, lindo figurino, cenário, tudo!
    Parabéns pelo blog e pela carreira! Que guria mais interessante essa =)

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