Crítica: Bingo – O Rei das Manhãs

Confira a crítica do longa Bingo – O Rei das Manhãs!

Bingo – O Rei das Manhãs conta a história do ator por trás do famoso palhaço Bozo – que por conta de direitos autorais, acabou ganhando o nome de Bingo no longa. Vladimir Brichta entrega uma performance brilhante como Augusto, ator de segunda linha que faz filmes de pornochanchada e só consegue papéis pequenos na “Rede Mundial” (aka Rede Globo), divorciado da mulher mas que tem muito carinho pelo filho, Gabriel. Sua mãe, que também era atriz, convive com a velhice longe dos holofotes.

Tudo o que Augusto queria era uma chance de fazer os outros rirem. Sua vida é o palco, a luz. A oposição luz e sombra está presente em toda a película, seja quando ele está no estúdio filmando o programa, seja quando ele se despede do papel e as luzes do corredor se apagam. Como bem diz sua mãe (vivida magistralmente por Ana Lúcia Torre): nessa vida, há três tipos de pessoas: cigarras, formigas e mariposas, que precisam de luz para viver.

Augusto finalmente consegue o papel que o leva ao estrelato: Bingo, o palhaço que anima as manhãs da criançada na TVP (ou SBT). Só tem um problema: o contrato exige que a identidade do ator jamais seja revelada. Em uma cena sensível, em que ele recebe um prêmio, Augusto tem um delírio em que retira a maquiagem e é aplaudido. É tudo que ele quer: reconhecimento. Como isso não é possível, ele aproveita a fama de outras maneiras, seja na farra da noite paulistana dos anos 1980, seja adquirindo um apartamento gigante na Avenida Paulista. Mas nada disso é suficiente. E ele entra em decadência.

Drogas, mulheres, afastamento do filho, depressão. Augusto chega ao fundo do poço. Seu nariz sangra no meio do programa – isso nunca aconteceu na vida real – e ele é afastado. Em um ataque de fúria, ele acaba se ferindo e vai parar no hospital. A salvação vem na figura de Lúcia,  interpretada por Leandra Leal: a diretora do programa, que é crente, acaba sendo a luz no fim do túnel do ex-palhaço.

O filme é baseado na vida de Arlindo Barreto, que viveu o Bozo ao lado de outros atores que se revezavam no papel. Hoje um pastor da igreja batista, ele realmente se casou com a produtora do programa, Elizabete – porém hoje são separados, e eles tiveram dois filhos. Arlindo ajudou Vladimir na criação do personagem, que realmente xingou o produtor americano durante o teste mas jamais se drogou durante as gravações do programa.

Vladimir teve ainda o apoio de Domingos Montagner, um dos palhaços do circo em que ele faz um “estágio”. O ator faleceu no ano passado, vítima de um acidente durante as gravações da novela Velho Chico, e tinha background no picadeiro.

O destaque fica por conta da fotografia e trilha sonora, que nos transportam imediatamente à São Paulo dos anos 1980 – palco da minha infância. Parece que estamos assistindo TV antiga, com as cores estouradas e uma camada extra de vermelho. As panorâmicas pelo centro de São Paulo também são incríveis – morei lá até os 8 anos de idade e me emocionei ao ver a fachada do Mappin na frente do Theatro Municipal. São esses detalhes que conferem ao filme um clima de nostalgia.

O longa tem chances de concorrer ao Oscar, mas é provável que não leve. Não tem problema. Isso não muda o fato dele ser um dos melhores filmes nacionais de todos os tempos.

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